Diga-se de passagem
Se me olham e já concluem
Ao me ver já me encerram
E com toda razão, argumentam
Por uma construção, precipitam
Todo julgamento também é
Decisivo e ao mesmo tempo incisivo
Mas nem sempre é preciso
Nem sempre é conclusivo
Eu direi, ainda, há tempo
No entanto não para estes, certo tempo então
Que me julgam sem saber, sem razão
Que me negam o direito de expressão
Quem sou direi para você então, dizer
Difícil dissociar-se de quem eu desejo ser
Mas também não posso me esconder
Nem me deixar corromper
Para com honestidade encontrar
Quem eu sou
Quem querem que eu seja
A princípio o começo
Nas contradições o verdadeiro se hábita
Mas por sua raiz, não pode o ser
Pois a verdade é relativa
E depende do meu crer
Se quando firmo base no ser me traio
Fujo da essência que está no meu corpo
Que me comunica todas manhãs
Que me faz grato, apaixonado e raivoso
Antes de consciente e razoável
Talvez eu deva ser mais flexível
E aceitar o que é mutável
Amar a natureza milenar que me molda e compreende
Tudo arte do estreito fio da consciência
Manipuladora, que seduz minha espécie
Ludibria e os faz acreditar em diferenças irrisórias
Tudo para se firmar no comando
Mas eu não quero ser um mando
Nem um mandado
Eu quero ser um ser humano
E não um ser alienado

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